sexta-feira, 31 de maio de 2013

PESSOAS: PROBLEMA OU SOLUÇÃO PARA AS EMPRESAS?



Pessoas são sinônimo de problemas. Juntar um grupo para trabalhar em prol de determinado objetivo é reunir um monte de problemas potenciais. Quanto mais pessoas envolvidas, maior a possibilidade de ocorrerem problemas.
Não parece terrível imaginar que quanto mais dependermos de outras pessoas, mais vulneráveis estaremos à ocorrência de problemas? No entanto, são elas, em muitos casos, o maior patrimônio da empresa. 
Cerca de 85% dos problemas de uma organização, tanto internos como externos, estão relacionados com as pessoas. Os problemas externos aumentam sua capacidade de interferir negativamente na rotina, nos processos e no resultado quando os problemas internos solaparam previamente a confiança e o espírito de equipe dessas pessoas.
Sendo assim, a grande maioria das dificuldades pelas quais uma empresa passa está relacionada com aspectos internos. Vejamos:
Caso A - Uma empresa tem dificuldades em sobreviver. Está cortando pessoal, os salários estão atrasados e o moral está baixo. O problema foi que um grande cliente - um dos três cativos que a organização possuía - de repente cancelou o contrato. Como resultado, a empresa diminuiu a produção pela metade.
Agora, escolha uma opção. A origem do problema está: 
A. No cliente que, sem avisar, cancelou os pedidos deixando o pessoal da empresa na mão;

B. No mercado, que tem poucos clientes;

C. Na concorrência, que avançou em cima do cliente e deve ter oferecido outras vantagens;

D. Na própria empresa, por depender de apenas três clientes e não ter um plano alternativo.

Marcou sua opção? Ótimo! Antes de vermos o resultado, mais uma situação.
Caso B - Uma empresa está em dificuldades porque os clientes passaram a reclamar de seu sistema de entregas que, segundo eles alegam, agora “demora muito”. Mas o sistema sempre funcionou e continua funcionando eficientemente. O problema está:
A. Nos clientes, que estão fazendo exigências descabidas, afinal reclamar de algo que sempre funcionou bem e continua funcionando do mesmo jeito não faz sentido;

B. Na concorrência, que está se valendo de outros meios para tirar os clientes da empresa e prometendo coisas que provavelmente não vão cumprir;

C. No mercado, que está se prostituindo por causa do just in time e não quer saber de fazer estoques reguladores, quer tudo para ontem, atrapalhando a qualidade da produção e da entrega;

D. Na própria empresa, porque não acompanhou as mudanças do mercado, que se torna cada vez mais rápido e ágil.
Marcou essa também? Muito bom, então vamos ver agora o resultado.
Caso A - A origem do problema está na própria empresa, é claro! O que o cliente fez foi simplesmente exercer o direito de cancelar seus pedidos. Pode haver muitos motivos, isso não importa. O que realmente importa no caso é que a empresa se tornou vulnerável a esse tipo de coisa no momento em que estagnou em uma situação aparentemente confortável de ser fornecedora de poucos e certos clientes. Isso se chama “colocar todos os ovos em um só cesto”.
Vamos agora ao segundo exemplo.
Caso B - O problema é (você já deve ter adivinhado) a própria empresa novamente. Porque continua fazendo as coisas do mesmo jeito, sem perceber que o mundo muda constantemente. Os prazos que anos atrás eram bons, são muito longos para os dias de hoje. Estoques reguladores são cada vez menores e às vezes nem existem, visando baratear custos e maximizar processos, diminuindo movimentações e armazenamento de matérias-primas e componentes. Ademais, um conceito para lá de equivocado é considerar que uma coisa é boa porque sempre foi desse jeito. Um processo não é obrigatoriamente bom hoje por ter sido assim no passado. As coisas mudam!
A inovação constante (você mesmo deve tornar obsoleto seu produto antes que o concorrente o faça), a busca por novas formas mais eficazes de fazer as coisas, o antecipar-se às necessidades, tudo isso deve fazer parte constante da preocupação de uma empresa, porque no mundo dos negócios não há espaço para acomodação. Aliás, nunca houve.
Além disso, em nossos dias as coisas andam muito mais depressa, mudam cada vez mais rapidamente, e uma empresa precisa andar à frente para ser campeã, ou pelo menos necessita emparelhar-se com os outros para continuar existindo. Isso significa gerenciar pessoas, porque mesmo significando 85% dos problemas, elas significam, de um jeito ou de outro, 100% das soluções.

Por Edson Rodriguez (Consultor em gestão de pessoas e orientação profissional, coacher gerencial e vice-presidente da Thomas Brasil. Autor dos livros “Conseguindo Resultados através de Pessoas”, “Futebol para Executivos” e “Por que alguns vendedores vendem mais que os outros?”)



HSM Online

16/11/2009

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