quarta-feira, 6 de novembro de 2013

STEVE JOBS: INTENSO



Jobs era intenso e desprezava as regras, o que o fez realizar o impossível. Assim avalia Walter Isaacson, CEO do Aspen Institute e palestrante da HSM Expomanagement 2013, evento que será realizado em São Paulo entre os dias 4 e 6 de novembro
Intenso, perfeccionista e cruelmente sincero. Esses são alguns dos termos que Walter Isaacson usa para descrever Steve Jobs, o aclamado CEO da Apple. Isaacson é autor de Steve Jobs, a biografia da qual se podem extrair lições de como perseguir objetivos e "chegar lá", reunindo muitos em torno de sua visão.
Palestrante da HSM Expomanagement 2013, que será realizada em São Paulo entre os dias 4 e 6 de novembro, Isaacson é também CEO do Aspen Institute, organização não governamental voltada para o fomento da liderança baseada em valores duradouros. Dedica-se a pesquisar, acompanhar e relatar a vida de indivíduos impactantes para a humanidade, como Albert Einstein, Benjamin Franklin e, o mais recente, Jobs.

O Jobs apresentado por Isaacson tem perfil de artista, na genialidade e no temperamento. Sua intensidade era o fio que conectava sua personalidade aos produtos que lançava -impregnados de paixões, demônios, capacidades artísticas e obsessões de seu criador.
O perfeccionismo e as tendências obsessivas resultavam na necessidade de controle. "A busca por perfeição levou-o à compulsão de fazer com que a Apple tivesse controle de ponta a ponta sobre cada produto. Ele tinha urticária quando via os grandes softwares da empresa rodando em hardwares ruins de outras companhias, e também era alérgico ao conteúdo não aprovado que poluísse a perfeição de um dispositivo Apple", ressalta Isaacson.
Esse alto grau de exigência levou o gênio a perseguir e impor a simplicidade, por meio da habilidade de integrar hardware, software e conteúdo, inclusive pensando nos usuários que não têm tempo nem disposição para integrar seus computadores e dispositivos.
Jobs era perfeccionista, mas sabia dizer não. Definia prioridades e se concentrava nelas realmente, ignorando distrações. Tal capacidade o levou a recolocar a Apple nos trilhos, quando reduziu sua oferta ao mercado a poucos e essenciais produtos. Dizer não também promovia a simplicidade: não aos botões e teclas em excesso, não às opções desnecessárias nos programas.
Mas não era nada fácil relacionar-se com esse líder, ainda que fosse carismático e adepto da filosofia Zen Budista. Pelo que membros de sua equipe testemunharam, ele talvez não tivesse ainda compreendido o ensinamento budista do Caminho do Meio. Pelo contrário, o CEO não era sereno, mas dado a extremos.
Em sua visão binária de mundo, algo era maravilhoso ou terrível. Impaciente, era sincero ao ponto de ofender as pessoas. Isaacson reproduz sua fala: "Meu trabalho é dizer quando algo é péssimo, em vez de suavizar as coisas".
Andy Hertzfeld, um dos membros da equipe que desenvolveu o Macintosh nos anos 1980, foi ouvido pelo autor e avaliou: "Quanto ele machucava os outros, não era porque carecesse de consciência. Pelo contrário, ele poderia analisar a pessoa, compreender seu pensamento, aprender a se relacionar com ela e, finalmente, adulá-la ou ofendê-la".
 
Desafiando a realidade
Ainda que a necessidade de tal comportamento seja questionável, e que tenha causado muitos problemas a Jobs, não é possível negar, de acordo com Isaacson, que tenha sido eficaz. "Dúzias de colegas de quem Jobs mais abusou terminaram a narração de suas histórias de horror afirmando que o CEO os fez fazerem coisas que jamais sonharam ser possíveis".
A chave para Jobs conseguir o que queria? Ele, de fato, acreditava que as regras da vida não valiam para ele, conforme se lê em artigo de Isaacson publicado por Harvard Business Review. Ele conta que, certa vez, Jobs estava no turno da noite da Atari e resolveu que Steve Wozniak deveria criar um jogo chamado Breakout em quatro dias. Wozniak disse que levaria meses, mas Jobs insistiu, e o milagre se fez. Assim Jobs foi mudando a história da computação -com uma fração dos recursos de que IBM ou Xerox dispunham.
 
Referências:
ISAACSON, W. "The real leadership lessons of Steve Jobs". Harvard Business Review, abr. 2012, p. 93 - 102.
ISAACSON, W. Steve Jobs. Nova York: Simon & Schuster, 2011.
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